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terça-feira, 29 de novembro de 2011



DÁ-ME A TUA MÃO

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.


Clarice Lispector

quarta-feira, 2 de novembro de 2011



E...

Ainda bem que sempre existe outro dia.
E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas.
E outras coisas...

Clarice Lispector

 

sábado, 16 de julho de 2011


NÃO TE AMO MAIS...

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...


Clarice Lispector


OBS: Agora leia esta poesia de baixo para cima.
Pura arte... Pura genialidade...

sexta-feira, 16 de julho de 2010


(...)
Ah, meu amor, as coisas são muito delicadas.
A gente pisa nelas com uma pata humana demais, com sentimentos demais.
Só a delicadeza da inocência ou só a delicadeza dos iniciados é que sente o seu gosto quase nulo.

Eu antes precisava de tempero para tudo,
e era assim que eu pulava por cima da coisa e sentia o gosto do tempero.

 
Clarice Lispector

domingo, 24 de janeiro de 2010


"É tão dificil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificilimo contar. Olhei para você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo a isto estado agudo de felicidade."


Clarice Lispector