quarta-feira, 16 de junho de 2010

VOCÊ, SEMPRE VOCÊ...

Você: um céu totalmente azul.
Você: que vê o meu olhar diante de um sonho.
Você: que segue todos os meus passos.
Você: o desejo de cada manhã de sol.
Você: amor que guardo a cada dia.
Você: sorriso que faz um rosto triste ser feliz.
Você: pessoa indispensável a cada momento que preciso.
Você: que até em sonho me faz completa.
Você: luz que brilha tão longe,e que tenho medo de alcançar.
Você: mãos que se estende querendo carinho.
Você: vida de um sonho que eu quis entrar e
que agora não tenho forças para sair.
Você: vida minha ,que eu hei de ficar até morrer.
Você: história que sempre ira ficar guardada na minha memória.
Você: sempre Você...


Celi Luzzi

terça-feira, 15 de junho de 2010

EU TE DARIA...

Eu te daria o mundo
Se eu pudesse pegá-lo com as mãos
Eu te daria a vida
Se você pudesse me ter sempre na memória
Eu te daria minhas mãos
Como um gesto de carinho
Eu te daria um sorriso
Para nunca lhe ver triste
Eu te daria palavras
Como um consolo,nas horas difíceis
Eu te daria o meu ombro
Para você poder chorar
Eu te daria o meu abraço
Para te esquentar,nas noites frias
Eu te daria o meu colo
Para você desabafar
Eu te daria a luz
Para caminhos mais claros
Eu te daria uma flor
Para que dela,se lembrasse de mim
Eu te daria os olhos
Para que neles voltassem o brilho,porque
se parecem com os meus
Eu te daria o amor,a paixão
Para que você sentisse no coração
Que o meu amor clama pelo seu
Que é tão puro,tão lindo ,tão forte
Que sempre vai seguir
Teu cheiro ,teu abraço
E que sempre vai estar diante
E nunca distante,dos teus passos...

Celi Luzzi

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ha muitas maneiras
mas muitas mesmo, de
dizer te amo.
Diz se com sorrisos, caricias
beijos, olhares...
Demonstra se com o jeito
de falar, com o jeito de abraçar
com o jeito especial de dizer
"Gosto de você"...
Mas ha uma maneira de dizer
te amo" da qual não abro mão
por nada deste mundo:
É quando estou em você e você
em mim...

D/A

domingo, 13 de junho de 2010


PODES SORRIR

Podes sorrir-te... Embora! as flores murcham,
Mas não morre o perfume sobre o chão!
Que importa o riso sobre lábio ingrato,
Si inda, mulher, te bate o coração?!

Fada orgulhosa, nos salões brilhantes,
Vagas sem tino, no dançar louquejadas;
E penas brancas da plumagem alva
Caíram todas... Num paul doidejas.

Vale, acaso, essa vida de delírio,
Aqueles sonhos de paixão fervente,
Os quentes beijos, os abraços ternos,
E o céu tranqüilo sobre a terra ardente?!

Ai! que louca tu fostes, As nossas festas
Tinham por luzes os clarões da lua;
Inda hoje, às vezes, solitária e bela,
Tua imagem triste no luar flutua!

Não chorarei... Oh! não! Lá quando, um dia,
Emudecer o som da louca festa,
Essa história de gozos infinitos
Hão de contar-te as brisas da floresta!

Teu pranto em fio pelas faces murchas
Há de ser minha única vingança.
Serás a estátua muda da Saudade,
No sepulcro deserto da Esperança!...

Embalde o tentas... Minha imagem sempre,
Como um remorso, surgirá perdida!
Eu sou tua sombra, seguirei teu corpo!
Eu sou tua'aIma, seguirei tua vida!

Victor Hugo

sábado, 12 de junho de 2010

O MAIS QUE PERFEITO

AH!!quem me dera ir-me
contigo agora
Para um horizonte firme
(Comum embora)
AH!!quem me dera ir-me!

AH!!quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que não presumes...
AH!!quem me dera amar-te

AH!!quem me dera ver-te
Sempre ao meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais: cuidado
AH!! quem me dera ver-te

AH!! quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te

Vinícius de Moraes

sexta-feira, 11 de junho de 2010

SÓ TE VEJO...

Todas as noites,eu debruçada á janela do meu quarto vejo você passar.
Tão lindo,tão formoso, que o teu cheiro fica no ar.
Sinto vontade de te dizer boa noite ao velo passar.
Mas a timidez me incomoda e eu me vejo todas as noites
debruçada,sem nada a falar.
E então me imagino tocando suas mãos, abraçando seu corpo beijando sua boca, para meu coração aquietar.
E assim vai, todas as noites debruçada a janela somente
a sonhar...


Celi Luzzi

quinta-feira, 10 de junho de 2010

AMOR

O amor só é lindo, quando nos transforma no melhor que podemos ser.


Mário Quintana

quarta-feira, 9 de junho de 2010

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão:
outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa, pondera:
outra parte delira.

Uma parte de mim almoça e janta:
outra parte se espanta.
Uma parte de mim é permanente:
outra parte se sabe de repente.

Uma parte de mim é só vertigem:
outra parte,linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte
— que é uma questão de vida ou morte
—será arte?
Ferreira Gullar

terça-feira, 8 de junho de 2010



A CERTAIN SLANT OF LIGHT

There's a certain slant of light,
On winter afternoons,
That oppresses, like the weight
Of cathedral tunes.

Heavenly hurt it gives us;
We can find no scar,
But internal difference
Where the meanings are.

None may teach it anything,
'Tis the seal, despair,-
An imperial affliction
Sent us of the air.

When it comes, the landscape listens,
Shadows hold their breath;
When it goes, 't is like the distance
On the look of death.

Emily Dickinson


Há uma certa inclinação da luz,
Nas tardes invernais,
Que oprime, como o peso
Do dobrar dos sinos nas catedrais.

Celestial ferida ela nos impõe,
Sem nenhuma cicatriz ofertar
Salvo a interna diferença
Onde os sentidos vêm a se encontrar.

Ninguém nada pode lhe ensinar,
Ela é o selo, o desespero,
Uma aflição imperiosa
Enviada a nós do ar.

Quando vem, a paisagem se põe a escutar,
As sombras detêm o fôlego;

Quando vai, é como a distância
do olhar da morte a passar.

(There's a certain slant of light, poema de Emily Dickinson,
traduzido por Fernando Campanella)

segunda-feira, 7 de junho de 2010


EU SOU...

Eu sou, mas o que eu sou quem cuida ou sabe?
Em meus amigos um lembrar perdido.
Gastar as minhas mágoas a mim cabe -
erguem-se e passam num revoar esquecido,
sombras de amor que a própria ânsia esmaga -
mas sou, e vivo - como névoa vaga


lançada ao nada de uma vácua lida,
ao vivo mar dos sonhos acordados,
onde não há qualquer senso da vida,
mas o naufrágio só dos bens passados.
Até os mais caros, meu amor mais fundo,
estranhos me são, ou mais que todo o mundo.


Anseio terras que ninguém pisou,
onde mulher nunca sorriu nem chora,
e onde me unir ao Deus que me criou,
para dormir como na infância outrora -
sem que nenhum cuidado seja meu:
erva por baixo, e acima o curvo céu.


John Clare
(in «Poesia de 26 Séculos»
Antologia, tradução, prefáio
e notas de Jorge de Sena,
Edições ASA, 2001)


I am

I am! yet what I am who cares, or knows?
My friends forsake me like a memory lost.
I am the self-consumer of my woes;
They rise and vanish, an oblivious host,
Shadows of life, whose very soul is lost.
And yet I am—I live—though I am toss’d

Into the nothingness of scorn and noise,
Into the living sea of waking dream,
Where there is neither sense of life, nor joys,
But the huge shipwreck of my own esteem
And all that’s dear. Even those I loved the best
Are strange—nay, they are stranger than the rest.

I long for scenes where man has never trod—
For scenes where woman never smiled or wept—
There to abide with my Creator, God,
And sleep as I in childhood sweetly slept,
Full of high thoughts, unborn. So let me lie,—
The grass below; above, the vaulted sky.


John Clare

domingo, 6 de junho de 2010

ANOITECER

Musgo negro.
Cheiro de chão em cálidos grânulos.
Grelos de prata finos e frágeis,
E o cântico de brancas campânulas.

Mudos se apagam os fogos murchos.
Um sopro só da morna maré.
Florindo, os mares rubros derretem;
Sugam sangue os sóis escuros.


Max Dauthendey
(1867-1918)
Tradução:André Vallias

ABEND

Schwarze Moose.
Erdgeruch in lauen Flocken.
Schmale dünne Silberblüten
Und Gesang von bleichen Glocken.

Welke Feuer löschen leise.
Nur ein Atmen warmer Flut.
Blühend schmelzen rote Meere,
Dunkle Sonnen saugen Blut.


Max Dauthendey

sábado, 5 de junho de 2010


SE PERGUNTAREM POR MIM

digam
-que as raízes de meus ventos dispersaram tantas quimeras
mas que os vendavais de meus dias não perderam ainda suas cores
-que o sol, o mar e as areias da praia fluem
em mim como os acordes de Debussy num fim de tarde
-que todos os azuis e os verdes, às vezes, me habitam
-que, às vezes, sou uma pobre noite sem estrelas puras
-que meus sonhos de tão vagos não encontraram
janelas e nem portas
-que minhas semeaduras se deixam queimar magras,
bem antes que o sol se ponha
-que na musica de tantos dias e noites encontrei
violinos desafinados
-mas que
na chuva, de tão cinza ao cair
descobri nela
toda uma gama de coloração
de vida
rasgando estradas novas em esperança.


Se perguntarem por mim. . .



Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo

sexta-feira, 4 de junho de 2010

RAJADA

há palavras
leves
como sementes de álamo

erguem-se
levadas pelo vento
e voltam a cair

difícil agarrá-las
porque se afastam muito
como sementes de álamo

há palavras
que mais tarde talvez
removerão a terra

que espalharão sombra
uma sombra delgada
ou talvez não


Hans Magnus Enzensberger
(Alemanha- 1929)
Tradução de Eugénio de Andrade

quinta-feira, 3 de junho de 2010


DÁ-ME TUA MÃO...

Dá-me tua mão
E eu te levarei aos campos musicados pela
canção das colheitas.
Cheguemos antes que os pássaros nos disputem
os frutos,
Antes que os insetos se alimentem das folhas
entreabertas.

Dá-me tua mão
E eu te levarei a gozar a alegria do solo
agradecido,
Te darei por leito a terra amiga
E repousarei tua cabeça envelhecida
Na relva silenciosa dos campos.

Nada te perguntarei,
Apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes
E as palavras do meu olhar sobre tua face muito
amada.


Adalgisa Nery
in As Fronteiras da Quarta Dimensão (1951)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O SONHO

Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade
Solto para onde estás, e fico de ti perto!
Como, depois do sonho, é triste a realidade!
Como tudo, sem ti, fica depois deserto!


Sonho... Minha alma voa. O ar gorjeia e soluça.
Noite... A amplidão se estende, iluminada e calma:
De cada estrela de ouro um anjo se debruça,
E abre o olhar espantado, ao ver passar minha alma.


Há por tudo a alegria e o rumor de um noivado.
Em torno a cada ninho anda bailando uma asa.
E, como sobre um leito um alvo cortinado,
Alva, a luz do luar cai sobre a tua casa.


Porém, subitamente, um relâmpago corta
Todo o espaço... O rumor de um salmo se levanta
E, sorrindo, serena, apareces à porta,
Como numa moldura a imagem de uma Santa...

Olavo Bilac

terça-feira, 1 de junho de 2010


SOU O VENTO


Eu sou o vento...
que leva as letras da poesia,
que desprendem do texto.

Eu sou o vento...
Que varre a areia da praia
apagando as mensagens escritas na areia.

Eu sou o vento...
a entrar pela fresta, pelo vão
e teima em espalhar as folhas
de cima de sua mesa,
para chamar-lhe a atenção.

Eu sou o vento,
que invade seu quarto,
faz o lençol tremular...
soprando seu corpo
fazendo sua pele arrepiar.

Eu sou o vento
a embalar os teus cabelos
como ondas no mar,
acariciar teu rosto
com desejos de amar!


Mauricio Chila Freyesleben

segunda-feira, 31 de maio de 2010


FELICIDADE

Se ele pudesse,
chamaria todas as árvores e todos os pássaros
para que o ouvissem,
conversaria com o Dia e conversaria com a Noite,
e casaria o Sol com a Terra,
e pediria ao mar suas espumas
ao espaço as suas brumas,
às árvores suas flores
ao céu as suas estrelas
para tecer o imenso véu...

E pediria ao mundo um pouco de silêncio
e pediria ao céu que descesse um pouquinho
do céu...


JG de Araujo Jorge
In: "Amo!"

domingo, 30 de maio de 2010


UM BREVE OLHAR

Lá em cima, no ar
Sobre a monotonia destas casas
Sulcando, sereníssimas, os céus,
Abrem a larga rima das suas asas,
Lenços brancos do azul, dizendo adeus
Ao vento e ao mar.

Eu fico a vê-las
E meus olhos, de as verem, vão partindo
E fugindo com elas;
E a segui-las eu penso,
Enquanto o olhar no azul se espraia e prega,
Que há uma graça, que há um sonho imenso
Em tudo o que flutua e que navega…

Para onde se desterram as gaivotas,
Contra o vento vogando, altas e belas,
Essas voantes e pairantes frotas,
Essas vivas e alvas caravelas?

Vão para longe… E lá desaparecem,
Ao largo, por detrás do monte;
E os nossos olhos olham e entristecem
Com as vagas saudades que merecem
As coisas que se somem no horizonte!


Afonso Lopes Vieira
In "Canção do Vento"
(Leiria, 26 de janeiro de 1878 - Lisboa, 1946)

sábado, 29 de maio de 2010


O VENTO

Na palma do vento
pouso a fronte. Nele confio.
A quem confiaria senão a ele
este rude labor?


Abandono-me à tormenta
(lumes mastros
gaivotas do mar próximo).


Enreda-me a noite.
Mas dele são os dedos leves
que me fecham os olhos. E é manhã.


Dora Ferreira da Silva
In: Poesia Reunida
Jardins (esconderijos) 1979

sexta-feira, 28 de maio de 2010


O CORAÇÃO E O MAR

A Pepe Rumeu de Armas

Senhor, já estamos sós meu coração e o mar.
Antonio Machado


1. Escreve o mar

Até a folha em que escrevo chega o mar
com seu pulsar cheio de naufrágios
como meu coração.

E na folha, da mesma forma que na areia,
escreve seu segredo trêmulo
e sua canção.

Banha de nácar e cristal meu sonho
diurno e, se calo, escreve em meu silêncio
seu coração.

(Como em outro planeta canta um pássaro.
Quase humana, respira a manhã
de jasmim e limão.

Talvez sonhada ou recordada voa
como uma ferida azul a mariposa
com sua ilusão).

Em uma onda vem todo o mar
e ao pé deste poema se desfaz
como uma rosa que cantara.

Onde é mais só o mar
e mais largo e mais fundo e terno e feroz
é no meu coração.

Eduardo Carranza

quinta-feira, 27 de maio de 2010

UM OLHAR

Se um dia passares pela nascente de um rio
visita a minha sombra húmida,
indiferente à inquietação das árvores
carregadas da memória do vento.
Pára e inclina sobre ela um olhar tão cúmplice
como quem, com lentíssimas mãos,
pressente o apelo dos lábios.


Graça Pires
De Conjugar afectos, 1997

quarta-feira, 26 de maio de 2010

VIII

Ontem, sentado num penhasco, e perto
Dos águas, então quedas, do oceano,
Eu também o louvei sem ser um justo:
E meditei, e a mente extasiada
Deixei correr pela amplidão das ondas.

Como abraço materno era suave
A aragem fresca do cair das trevas.
Enquanto, envolta em glória, a clara Lua
Sumia em seu fulgor milhões d'estrelas.

Tudo calado estava: o mar somente
As harmonias da criação soltava,
Em seu rugido; e o ulmeiro do deserto
Se agitava, gemendo e murmurando.
Ante o sopro de oeste: ali dos olhos
O pranto me correu, sem que o sentisse.
E aos pés de Deus se derramou minha alma.


Alexandre Herculano,
em A Harpa do Crente

terça-feira, 25 de maio de 2010

CONVITE AO AMOR

Vamos voar para bem longe?...
A procura de um lindo jardim...
E pousar onde o sol se esconde,
num entardecer rubro/carmim.

Vamos juntos, viver esse amor?...
De um jeito único e sem fim...
Sem permitir nenhuma dor,
eu cuido de você e você de mim.

Assim chegaremos ao paraíso
e sem temer a nenhum perigo,
encontraremos a felicidade...

E voaremos, livres e soltos...
Sendo enfim, um do outro
e felizes de verdade. 

Valquíria Cordeiro


segunda-feira, 24 de maio de 2010

PLATÔNICO

E pisavas a beira da praia
Bem onde o mar te beijava os pés
Numa reverencia á tua majestade.

De onde me encontrava era o paraíso
Com um de seus anjos a passear
Busto nu e olhar mergulhado no mar.

A tua cadencia marcava a areia
E tuas marcas escreviam poesias
Teus pés desenhavam estradas.

Estradas que eu queria seguir
Olhos fitos em teus contornos
Perdido que estou por tua beleza.

Parecendo adivinhar sorris
Não sei se para mim ou de mim
Embora saibas a tortura que me és.

Insistis em ser paisagem e meus poemas
Pois sabeis que de ti eu sou devoto
E não te nego a partitura dessa rima.

Santaroza

domingo, 23 de maio de 2010

SENTIMENTO NOBRE

O mesmo amor que tece as manhãs,
colocou-te na minha vida e coração
e uniu nossas almas gêmeas/irmãs,
num rito de amizade, amor e paixão.

E eu serei grata a esse sublime amor,
que fez-se transbordar em gratidão,
curando a m’alma de todo dissabor
e amparando-me na palma da mão.

E mesmo que da minha larga janela,
eu não consiga ver o céu inteiro...
Eu fico a sondar a nossa estrela.

Contemplando esse pedaço do céu,
que descortina-se sem puder e véu,
como se fosse uma grande passarela. 

Valquíria Cordeiro

sábado, 22 de maio de 2010



UM MITTERNACHT

Gelassen Sting die Nacht ans Land,
Lehnt träumend an der Berge Wand,
Ihr Auge sieht die goldne Waage nun
Der Zeit in gleichen Schalen stille ruhn;
Und kecker rauschen die Quellen hervor,
Sie singen der Mutter, der Nacht, ins Ohr
Vom Tage,
Vom heute gewessen Tage.

Das uralt alte Schlummerlied,
Sie Achtets nicht, sie ist es müd;
Ihr klingt des Himmels Bläue süsser noch,
Der flüchtgen Stunden gleicheschwungnes Joch.
Doch immer behalten die Quellen das Wort,
Es singen die Wasser im Schlafe noch fort
Vom Tage,
Vom heute gewesenen Tage.

Eduard Friedrich Mörike
(1804 -1875 - Germany)


À Meia-noite

Serena desceu a noite sobre a terra,
encostou-se sonhadora na montanha;
seu olhar vê agora a balança de ouro
do tempo descansar calma em pratos iguais
e as fontes cantam seus receios
aos ouvidos da mãe, da noite,
sobre o dia
o dia passado de hoje.

O tão antigo acalento
a noite não percebe, está cansada;
o azul do céu repete mais doce,
o jugo igualmente distribuído das horas fugidias.
Entretanto a palavra, as fontes a conservam
e as águas cantam-na em sono
sobre o dia,
o dia passado de hoje.

Eduard Friedrich Mörike

sexta-feira, 21 de maio de 2010

ORGULHO E RENÚNCIA...

Não penses que a mentira me consola:
parte em silêncio, será bem melhor...
Se tudo terminou, a tua esmola
meu sofrimento ainda fará maior...

Não te condeno nem te recrimino,
ninguém tem culpa do que aconteceu...
Nem posso contrariar o meu destino
nem tu podias contrariar o teu !

Sofro, que importa? mas não te censuro,
o inevitável quando chega é assim,
- se esse amor não devia ter futuro
foi bem melhor precipitar seu fim...

Não te condeno nem te recrimino,
tinha que ser! Tudo passou, morreu!
Cada qual traz do berço o seu destino
e esse afinal, bem doloroso, é o meu!

Estranho, é que a afeição quando se acabe
traga inútil consolo ao nosso fim
quando penso, que ainda ontem, - quem o sabe?
tenhas sentido algum amor por mim...

Não procures mentir... Compreendo tudo.
Tudo por si justificado está:
- não tens culpa se te amo... se me iludo,
se a vida para mim é que foi má...

Vês? Meus olhos, chorando, estão contentes
Não fales nada. Vai ! Ninguém te obriga
a dizeres aquilo que não sentes,
nem eu preciso disto minha amiga...

Parte. E que nunca alguém sofrer te faça
o que sofri com o teu ingênuo amor;
-pensa que tudo morre, tudo passa,
que hei de esquecer-te, seja como for...

Pensa que tudo foi uma tolice...
Só mais tarde, bem sei, - compreenderás
as palavras de dor que não te disse
e outras, de amor... que não direi jamais !


(1938)

J. G. de Araujo Jorge

quinta-feira, 20 de maio de 2010

(...)

O amor nos faz aprender,e eu aprendi amando você.
Você é meu tudo. Te quero como nunca imaginei.
Você fez meu coração se tornar seu...

João Marcelo Santoro Soccere

quarta-feira, 19 de maio de 2010


A ESPERANÇA VIVE

Das cinzas do que já se foi
A Esperança não morreu
Dos sonhos que não se cumpriram
A Esperança não morreu
Do fim que parece ter chegado de vez
A esperança vive, a esperança, a esperança não morre jamais
A esperança vive, a esperança, a esperança não morre jamais
A esperança vive, a esperança, a esperança não morre jamais
Tua casa vai ser conhecida como uma fonte de milagres
Essa causa impossivel a de ser um testemunho do poder de Deus sobre voçê
Estes poços estes vales vão voltar a transbordar
Volte a crer volte a sonhar
Volte a crer volte a sonhar
Volte a crer volte a sonhar
Os sonhos de Deus

Ludmila Ferber