terça-feira, 22 de junho de 2010


O TEMPO IMÓVEL

O calor de seu canto vai parando
a tarde. Um pássaro canta.
Ao campo e à tarde a chama do verão
seu canto vai levando.

Fica parado dividindo a várzea
um marinheiro rio. A várzea morta,
o rio sem passar e o pássaro
que o sono do verão leva no canto,

e o tempo de lazer o tempo de jazer
antes da morte mais profunda. A sombra
do campo claro a sombra do silêncio

nasce do canto e do calor e dura
pára na terra pobre o mata-pasto
pára no campo o coração da tarde.


H. Dobal
In: O Tempo Conseqüente

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