sábado, 31 de dezembro de 2011

Oh dancing with myself
Oh dancing with myself
If I had the chance
I'd ask the world to dance
If I had the chance
I'd ask the world to dance
If I had the chance
I'd ask the world to dance

domingo, 25 de dezembro de 2011



SEM PERDÃO NÃO EXISTE AMANHÃ


Alguém já disse que a família é o lugar dos maiores amores e dos maiores ódios. Compreensível: quem mais tem capacidade de amar, mais tem capacidade de ferir. A mão que afaga é aquela de quem ninguém se protege, e quando agride, causa dores na alma, pois toca o ponto mais profundo de nossas estruturas afetivas. Isso vale não apenas para a família nuclear: pais e filhos, mas também para as relações de amizade e parceria conjugal, por exemplo. Em mais de vinte anos de experiência pastoral observei que poucos sofrimentos se comparam às dores próprias de relacionamentos afetivos feridos pela maldade e crueldade consciente ou inconsciente. Os males causados pelas pessoas que amamos e acreditamos que também nos amam são quase insuperáveis. O sofrimento resultado das fatalidades são acolhidos como vindos de forças cegas, aleatórias e inevitáveis. Mas a traição do cônjuge, a opressão dos pais, a ingratidão dos filhos, a rixa entre irmãos, a incompreensão do amigo, nos chegam dos lugares menos esperados: justamente no ninho onde deveríamos estar protegidos se esconde a peçonha letal.

Poucas são minhas conclusões, mas enxerguei pelo menos três aspectos dessa infeliz realidade das dores do amar e ser amado. Primeiro, percebo que a consciência da mágoa e do ressentimento nos chega inesperada, de súbito, como que vindo pronta, completa, de algum lugar. Mas quando chega nos permite enxergar uma longa história de conflitos, mal entendidos, agressões veladas, palavras e comentários infelizes, atos e atitudes danosos, que foram minando a alegria da convivência, criando ambientes de estranhamento e tensões, e promovendo distâncias abissais.

Quando nos percebemos longe das pessoas que amamos é que nos damos conta dos passos necessários para que a trilha do ressentimento fosse percorrida: um passo de cada vez, muitos deles pequenos, que na ocasião foram considerados irrelevantes, mas somados explicam as feridas profundas dos corações. Outro aspecto das dores do amar e ser amado está no paradoxo das razões de cada uma das partes. 

Acostumados a pensar em termos da lógica cartesiana: 1 + 1 = 2 e B vem depois de A e antes de C, nos esquecemos que a vida não se encaixa nos padrões de causa e efeito do mundo das ciências exatas. Pessoas não são máquinas, emoções e sentimentos não são números, relacionamentos não são engrenagens. É ingenuidade acreditar que as relações afetivas podem ser enquadradas na simplicidade dos conceitos certo e errado, verdade e mentira, preto e branco. A vida é zona cinzenta, pessoas podem estar certas e erradas ao mesmo tempo, cada uma com sua razão, e a verdade de um pode ser a mentira do outro. Os sábios ensinam que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, e considerando que cada pessoa tem seu ponto, as cores de cada vista serão sempre ou quase sempre diferentes. Isso me leva ao terceiro aspecto. Justamente porque as feridas dos corações resultam de uma longa história, lida de maneiras diferentes pelas pessoas envolvidas, o exercício de passar a limpo cada passo da jornada me parece inadequado para a reconciliação. Voltar no tempo para identificar os momentos cruciais da caminhada, o que é importante para um e para outro, fazer a análise das razões de cada um, buscar acordo, pedir e outorgar perdão ponto por ponto não me parece ser a melhor estratégia para a reaproximação dos corações e cura das almas.

Estou ciente das propostas terapêuticas, especialmente aquelas que sugerem a necessidade de re–significar a história e seus momentos específicos: voltar nos eventos traumáticos e dar a eles novos sentidos. Creio também na cura pela fala. Admito que a tomada de consciência e a possibilidade de uma nova consciência produzem libertações, ou, no mínimo, alívios, que de outra maneira dificilmente nos seriam possíveis. Mas por outro lado posso testemunhar quantas vezes já assisti esse filme, e o final não foi nada feliz. Minha conclusão é simples (espero que não simplória): o que faz a diferença para a experiência do perdão não é a qualidade do processo de fazer acordos a respeito dos fatos que determinaram o distanciamento, mas a atitude dos corações que buscam a reaproximação. Em outras palavras, uma coisa é olhar para o passado com a cabeça, cada um buscando convencer o outro de sua razão, e bem diferente é olhar para o outro com o coração amoroso, com o desejo verdadeiro do abraço perdido, independentemente de quem tem ou deixa de ter razão. Abraços criam espaço para acordos, mas a tentativa de celebrar acordos nem sempre termina em abraços.

Essa foi a experiência entre José e seus irmãos. Depois de longos anos de afastamento e uma triste história de competições explícitas, preferências de pai e mãe, agressões, traições e abandonos, voltam a se encontrar no Egito: a vítima em posição de poder contra seus agressores. José está diante de um dilema: fazer justiça ou abraçar. Deseja abraçar, mas não consegue deixar o passado para trás. Enquanto fala com seus irmãos sai para chorar, e seu desespero é tal que todos no palácio escutam seu pranto. Mas ao final se rende: primeiro abraça e depois discute o passado. Essa é a ordem certa. Primeiro, porque os abraços revelam a atitude dos corações, mais preocupados em se (re)aproximar do que em fazer valer seus direitos e razões. Depois, porque, no colo do abraço o passado perde força e as possibilidades de alegrias no futuro da convivência restaurada esvaziam a importância das tristezas desse passado funesto. Quando as pessoas decidem colocar suas mágoas sobre a mesa, devem saber que manuseiam nitroglicerina pura. As palavras explodem com muita facilidade, e podem causar mais destruição do que promover restauração. Não são poucos os que se atrevem a resolver conflitos, e no processo criam outros ainda maiores, aprofundam as feridas que tentavam curar, ou mesmo ferem novamente o que estava cicatrizado. Tudo depende do coração. O encontro é ao redor de pessoas ou de problemas? A intenção é a reconciliação entre as pessoas ou a busca de soluções para os problemas? Por exemplo, quando percebo que sua dívida para comigo afastou você de mim, vou ao seu encontro em busca do pagamento da dívida ou da reaproximação afetiva? Nem sempre as duas coisas são possíveis. 

Infelizmente, minha experiência mostra que a maioria das pessoas prefere o ressarcimento da dívida em detrimento do abraço, o que fatalmente resulta em morte: as pessoas morrem umas para as outras e, consequentemente, as relações morrem também. A razão é óbvia: dívidas de amor são impagáveis, e somente o perdão abre os horizontes para o futuro da comunhão. Ficar analisando o caderno onde as dívidas estão anotadas e discutindo o que é justo e injusto, quem prejudicou quem e quando, pode resultar em alguma reparação de justiça, mas isso é inútil – dívidas de amor são impagáveis.

Mas o perdão tem o dia seguinte. Os que recebem perdão e abraços cuidam para não mais ferir o outro. Ainda que desobrigados pelo perdão, farão todo o possível para reparar os danos do caminho. Mas já não buscam justiça. Buscam comunhão. Já não o fazem porque se sentem culpados e querem se justificar para si mesmos ou para quem quer que seja, mas porque se percebem amados e não têm outra alternativa senão retribuir amando. As experiências de perdão que não resultam na busca do que é justo desmerecem o perdão e esvaziam sua grandeza e seu poder de curar. Perdoar é diferente de relevar. Perdoar é afirmar o amor sobre a justiça, sem jamais sacrificar o que é justo. O perdão coloca as coisas no lugar. E nos capacita a conviver com algumas coisas que jamais voltarão ao lugar de onde não deveriam ter saído. Sem perdão não existe amanhã.


Pr. Ed René Kivitz

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

 

O NATAL NÃO É UM SÓ...

O Natal não é um só: um é o Natal do egoísmo e da tirania, outro é o Natal da abnegação e da diaconia; um é o Natal do ódio e do ressentimento, outro é o Natal do perdão e da reconciliação; um é o Natal da inveja e da competição, outro é o Natal da partilha e da comunhão; um é o Natal da mansão, outro é o Natal do casebre; um é o Natal do prazer e do amor, outro é o Natal do abuso e da infidelidade; um é o Natal no templo com orquestra e coral, outro é o Natal das prisões e dos hospitais; um é o Natal do shopping e do papai noel, outro é o Natal do presépio e do menino Jesus. O Natal não é um só: um é o Natal de José, outro é o Natal de Maria; um é o Natal de Herodes, outro é o Natal de Simeão; um é o Natal dos reis magos, outro é o Natal dos pastores no campo; um é o Natal do anjo mensageiro, outro é o Natal dos anjos que cantam no céu; um é o Natal do menino Jesus, outro é o Natal do pai dele.

O Natal de José é o instante sublime quando toma no colo o Messias. A partir daquela primeira noite jamais conseguiria dormir em paz. Sob seus olhos e sua responsabilidade cresceria aquele de quem falaram a Lei e os profetas. Era de José a tarefa de ensinar ao menino a respeito de sua verdadeira identidade. Enquanto recitava o profeta Isaías: “Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. E deleitar-se-á no temor do SENHOR; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos. Mas julgará com justiça aos pobres, e repreenderá com eqüidade aos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio, e a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins”, dizia ao garoto, “esse aí é você, meu filho”. O Natal de Maria é um canto de redenção: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador”. O Magnificat anuncia a redenção de geração em geração, obra das mãos do Deus que visita e abençoa os humildes e pobres, mas humilha e despede de mãos vazias os poderosos e prepotentes. Uma redenção que transborda a subjetividade do foro íntimo e se esparrama pelo chão das sociedades injustas, atravessando o tempo e fazendo livres nossos filhos e os filhos dos nossos filhos.

O Natal do anjo mensageiro é proclamação de boas notícias a todos: José, Maria, pastores no campo e todos os que inclinarem seu ouvido e coração para ouvir. Menos para o menino Jesus. A boa notícia de Deus aos homens a quem quer bem, é também vaticínio de morte para o menino na manjedoura. Ao divulgar que na cidade de Davi nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor, o anjo mensageiro desperta a ira de Roma, seus governantes e imperadores. Somente César é Salvador, filho de Deus e Senhor. Mas de agora em diante estaria presente no mundo aquele cujo reino jamais terá fim. A pedra profetizada por Daniel, solta pela mão de Deus para esmagar todos os reinos deste mundo já rolava na história, e atendia pelo nome de Jesus. As espadas romanas derramaram sangue inocente (os impérios deste mundo sempre derramam sangue inocente), mas o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, sobreviveu para desfazer a grande mentira: a Pax nunca foi romana.

O Natal dos anjos cantores definiu que Deus somente é glorificado nos céus quando há paz na terra entre os homens. Desde então, Natal é necessariamente compromisso com a justiça, convocação para a reconciliação, outorga de perdão. Os pastores no campo deixaram seus rebanhos, que guardavam do mal, movidos pelo ímpeto da curiosidade e pelo impulso do maravilhamento, e quem sabe, guiados pela intuição de que naquela noite em Belém o mal estava acuado, reforçando as frágeis trancas das portas de seus territórios, sabendo já que seus dias eram contados. Havia irrompido o tempo quando o lobo e o cordeiro dormiriam juntos, e nenhum espírito tenebroso ousaria ferir a noite do nascimento do príncipe da Paz. 

E o Natal dos três reis Magos? O Natal dos três (que não eram necessariamente três) reis (que não eram reis) magos (que não eram magos) foi tempo de adoração. Estudiosos dos corpos celestiais, viram a estrela no Oriente, e foram em busca do rei dos judeus, para o adorar. Trouxeram consigo ouro, incenso e mirra, pois sabiam que adorar é servir, doar, presentear. O menino que recebeu presentes enquanto na manjedoura distribuiu entre os pobres as suas riquezas e nos ensinou: quem deseja me dar um presente que o faça a um dos meus pequeninos. Assim, até hoje, os adoradores de Jesus se espalham no mundo distribuindo riquezas, abençoando os que sofrem, suprindo os pobres, promovendo a justiça e sinalizando a paz. O Natal não é um só. O menino Jesus também teve seu Natal. E assim o explicou: Eu vim para que tenham vida; eu vim buscar e salvar o que se havia perdido; eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em resgate de muitos. O Jesus do primeiro Natal até hoje segue seu caminho batendo em todas as portas e dizendo “quem ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele, e ele comigo”.

Pr. Ed René Kivitz

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011


EU SEI QUEM VOCÊ É...

Todas as manhãs um senhor idoso pegava aquele ônibus lotado e descia em frente a uma clínica. Certo dia, uma moça que sempre o observava, perguntou-lhe: - O senhor trabalha nesta clínica? - Não, respondeu ele, minha esposa está internada aí. Ela tem o mal de Alzheimer. - Puxa, lamento muito. E como ela está? - Não está muito bem. Está com a memória bastante prejudicada. Já nem me reconhece mais. - Mesmo assim o senhor enfrenta este ônibus lotado todos os dias, somente para vir visitá-la. - Sim! - Mas, se ela já não o reconhece mais, nem se lembra das coisas, porque o senhor vem todos os dias? - Ela já não sabe quem eu sou, mas eu sei quem ela é. Ela não se lembra mais das coisas, mas eu jamais me esquecerei dela. 
 

 Autor desconhecido

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

 
TUMULTO

Tempestade. O desgrenhamento
Das ramagens ... O choro vão
Da água triste, do longo vento,
Vem morrer-me no coração.

A água triste cai como um sonho,
Sonho velho que se esqueceu ...
(quando virás, ó meu tristonho
Poeta, ó doce troveiro meu! ...)

E minha alma, sem luz nem tenda,
Passa errante, na noite má,
À procura de quem me entenda
E de quem me consolará ...


Cecília Meireles
In Nunca Mais e Poema dos Poemas - 1923

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

 
VEM COMIGO

Vem comigo...
sentir o calor do sol,
ou o cair da chuva...

Vem comigo...
Ver o brilho das
estrelas e da lua
no céu.

Vem comigo...
Amar o mar e
sentir as ondas
em nosso corpo.

Vem comigo...
Caminhe ao meu lado,
e eu prometo;segurar
sua mão com a ternura
de todo o meu Amor!


Renata Mangeon

domingo, 11 de dezembro de 2011


TE QUERO PORQUE É AMOR

Não te espero, só porque te quero.
Te quero, como sei que eu nunca quis alguém assim.

Não te espero, só porque te quero.
É porque te quero só pra mim...
Te quero na minha vida, na minha paixão.
Te espero, em todos os momentos e não só na solidão.

Não te espero, só porque te quero.
Te quero em um beijo, em um abraço.
Te espero no cansaço, no acaso nos momentos de ilusão.

Não te espero, só porque te quero.
Te quero porque não é paixão, é um amor sem fim.
E quero porque quero, te esperar.
Como nunca esperei por alguém assim


Celi Luzzi

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011



DEIXA-ME AMAR-TE

Deixa-me amar-te em meus silêncios
Na calmaria do teu coração que me acolhe
E de onde se desprendem meus sonhos
Em vôos etéreos de plena liberdade

Deixa-me amar-te em minha solidão
Ainda que meus labirintos te confundam
E que teus fios generosos de compreensão
Emaranhem-se no tapete dos meus enigmas

Deixa-me amar-te sem qualquer explicação
Na ternura das tuas mãos que me sorriem
Escrevendo desejos em versos despidos
Na minha alva tez que te cobre e descobre

Deixa-me amar-te em meus segredos
Para que desvendes o que também desconheço
A alma dos meus abismos onde anoiteço
E meus olhos adormecem embalados pelo mistério

Deixa-me amar-te em tuas demoras, longas horas
Em que meu corpo se veste de céu à tua espera
E minhas mãos em frenesi acendem estrelas
Para alumiar-te, ainda que ausente estejas…

Fernanda Guimarães

domingo, 4 de dezembro de 2011


SERENATA PARA MEU AMOR

Numa linda noite, estrelada,
Fiz serenata pra ela,
Lua emoldurada em prata,
Ela belíssima na janela!

Seus olhos pareciam sorrir,
Esperando minha canção,
Ao cantá-la, comecei sentir,
Doce aperto no coração!

Bem perto dela, pude ver,
Suas lágrimas de emoção,
Emoção por me querer!

E algo forte em meu interior,
Fez explodir uma paixão,
Despertando meu amor!


Poeta Cigano

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011


Por um olhar, um mundo;
por um sorriso, um céu;
por um beijo... não sei
que te daria eu.

Gustavo Adolfo Bécquer

terça-feira, 29 de novembro de 2011



DÁ-ME A TUA MÃO

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.


Clarice Lispector

sexta-feira, 25 de novembro de 2011




SAUDADE...

“Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. 

Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando o McDonald's, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias. 

Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler... ”
 
Miguel Falabella
 
O POETA

Também eu, sonhador, que vi correr meus dias
Na solene mudez da grande solidão,
E soltei, enterrando as minhas utopias,
O último suspiro e a última oração;
Também eu junto à voz da natureza,
E soltando o meu hino ardente e triunfal,
Beijarei ajoelhado as plantas da beleza,
E banharei minh'alma em tua luz, — Ideal!
Ouviste a natureza? Às súplicas e às mágoas
Tua alma de mulher deve de palpitar;
Mas que te não seduza o cântico das águas,
Não procures, Corina, o caminho do mar!


Machado de Assis
de 'Horas Vivas"

terça-feira, 22 de novembro de 2011







SEPARAÇÃO
 
Separação inexiste, se há força de amor e fé.
Sentir saudade é trazer,
mais perto ainda, tudo que a gente pensa perdido.
Saudadear, dizia ele...

João Guimarães Rosa

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

INEXORÁVEL

 
"Sim. Todos os poemas são de amor.
Pela rima, pelo ritmo, pelo brilho
ou por alguém, alguma coisa
que passava na hora em que a vida
virava palavra."

Alice Ruiz

segunda-feira, 14 de novembro de 2011


ABRAÇO 

 'É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.'

Mário Quintana

sexta-feira, 11 de novembro de 2011


CONFIANÇA 


A confiança é um ato de fé.
E esta dispensa raciocínio.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 8 de novembro de 2011


CERTIFIQUE-SE


Não deixe de acreditar no amor,
mas certifique-se de estar entregando seu coração
para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá,
manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam,
e certifique-se de que quando estão juntos
aquele abraço vale mais que qualquer palavra...


Luís Fernando Veríssimo

sábado, 5 de novembro de 2011


INTENSIDADE DO AMOR


"Em alguns momentos, eu a decepcionarei,
em outros você me frustrará,
mas, se tivermos coragem para reconhecer nossos erros,
habilidade para sonharmos juntos
e capacidade para chorarmos
e recomeçarmos tudo de novo tantas vezes quantas forem necessárias,
então nosso amor será imortal."

Augusto Cury

quarta-feira, 2 de novembro de 2011



E...

Ainda bem que sempre existe outro dia.
E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas.
E outras coisas...

Clarice Lispector

 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011



PALAVRAS DO CORAÇÃO


As palavras proferidas pelo coração não tem língua que as articule,
retém-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se podem ler.


José Saramago

quinta-feira, 27 de outubro de 2011



De tanto ver triunfar a maldade,
De tanto ver crescer as injustiças,
De tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos homens,
O homem chega desanimar-se da virtude,
A rir-se da honra
e ter vergonha de ser honesto...

Rui Barbosa


O TEMPO E O VENTO


Havia uma escada que parava de repente no ar
Havia uma porta que dava para não se sabe o quê
Havia um relógio onde a morte tricotava o tempo

Mas havia um arroio correndo entre os dedos buliçosos dos pés
E pássaros pousados na pauta dos fios de telégrafo

E o vento!

O vento vinha desde o principio do mundo
Estava brincando com seus cabelos...

Mário Quintana

terça-feira, 25 de outubro de 2011



EQUÍVOCO

 

“Não penses mal dos que procedem mal;
pense somente que estão equivocados”.

 Sócrates

domingo, 23 de outubro de 2011


UMA RUA CHAMADA DESTINO

Naquela Rua mora alguém que eu adoro
Cabelos longos cobrindo delicado rosto meigo
Escondendo aos desapercebidos lindos olhos
Os quais refletem como luar tênue seu jeito

Naquela Rua mora alguém que eu desejo
Que por muitas vezes só em imaginação
Desenhei em macias nuvens de vaidoso aconchego
Em um mundo novo de evidente intensa emoção

Naquela Rua mora a dona de um sorriso esmero
De claro iluminar a minha alma apaixonada
E que me prova o sentir de emoções que espelho
Num completo sentir preciso onde nada me falta

Naquela Rua descubro o sabor de seus lábios cálidos
Os quais mais que sábios parecem me revelar
Uma Rua de ternura onde seu gosto se faz ávido
Onde a solidão jamais passa por perto a se alojar

Nesta Rua a qual muitos chamam de Destino
Vejo um grato puro caminho sem esquinas
No qual a tempos mesmo antes de ter nascido
Um lugar já prometido fazer-se moradia.

Jorge Jacinto da Silva Junior



sexta-feira, 21 de outubro de 2011



POR VOCÊ

Por você...
Me fiz melhor a cada dia
Aprendi lidar com a noite e o dia
Carreguei na alma, a fantasia

Por você, escalei nuvens arredias
Amparada na amizade e na verdade
Deixei aberto meu passado
Vivo o presente ao seu lado, construindo o futuro.

Por você me fiz luz...
Que brilha em um abismo
Busquei a felicidade sonhada
Nas ilhas da poesia que faço

Por você escalo montanhas de afeto
Pesco estrelas com varinhas de condão
Grito seu nome ao vento
Para ouvir meu eco...

Por você...
Deixo sonhos alinhavados
Faço no horizonte bordados
Guardo a ternura no coração.

Augusta Schimidt

terça-feira, 18 de outubro de 2011



ETERNO



"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo,
mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata..." 


Carlos Drummond de Andrade

sábado, 15 de outubro de 2011


 
"Não me apetece viver histórias medíocres,
paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar.
Só quero na minha vida gente que
transpire adrenalina de alguma forma."
 
Gabriel García Marquez

quinta-feira, 13 de outubro de 2011



DESIDERATA

No meio do barulho e da agitação, CAMINHE TRANQÜILO, pensando na paz que você pode encontrar no silencio.

Procure VIVER NA HARMONIA com as pessoas que estão ao seu redor, sem abrir mão da sua dignidade.

FALE A SUA VERDADE, clara e mansamente. Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria historia. Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.

NÃO SE COMPARE AOS DEMAIS, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você: isso o tornaria superficial e amargo.

VIVA INTENSAMENTE os seus ideais e o que você já conseguiu realizar.

MANTENHA O INTERESSE NO SEU TRABALHO, por mais humilde que seja: ele é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos.

SEJA PRUDENTE em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas. Mas NÃO FIQUE CEGO PARA O BEM que sempre existe. Há muita gente lutando por nobres causas. Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.

SEJA VOCÊ MESMO. Sobretudo não simule afeição e não transforme o amor numa brincadeira, pois no meio de tanta aridez ele é perene como a relva.

ACEITE com carinho o CONSELHO DOS MAIS VELHOS e seja compreensivo com os IMPULSOS INOVADORES DA JUVENTUDE.

CULTIVE A FORÇA DO ESPÍRITO e você estará preparado para enfrentar as surpresas da sorte adversa. NÃO SE DESESPERE com perigos imaginários: muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.

Ao lado de uma SADIA DISCIPLINA, conserve para consigo mesmo, uma IMENSA BONDADE. Você é filho do Universo, irmão das estrelas e arvores, você merece estar aqui. E mesmo se você não pode perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo seu destino.

PROCURE, POIS, ESTAR EM PAZ COM DEUS, seja qual for o nome que você lhe der.

No meio dos seus trabalhos e aspirações, na fatigante jornada pela vida, CONSERVE NO MAIS PROFUNDO DO SER, A HARMONIA E A PAZ. Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano, o mundo ainda é bonito.
CAMINHE COM CUIDADO, FAÇA TUDO PARA SER FELIZ E PARTILHE COM OS OUTROS A SUA FELICIDADE.
 
(texto encontrado em Baltimore, EUA, na antiga Igreja de Saint-Paul, em 1962)

terça-feira, 11 de outubro de 2011



HÁ SOL NA RUA...

Há sol na rua
Gosto do sol mas não da rua
Portanto fico em casa
Esperando que o mundo venha
Com suas torres douradas
E suas cascatas brancas
Com suas vozes de lágrimas
E as canções das pessoas alegres
Ou pagas para cantar
E à noitinha chega um momento
Em que a rua se torna
outra coisa
E desaparece sob a plumagem
De noite repleta de talvez
E dos sonhos dos que estão mortos
Então desço à rua
Que se estende até a aurora
Bem perto, uma fumaça se espreguiça
E caminho em meio à água seca
Água áspera da noite fresca
O sol não demora a voltar.



Boris Vian
tradução de Ruy Proença

sexta-feira, 7 de outubro de 2011



Se eu te pudesse dizer
O que nunca te direi,
Tu terias que entender
Aquilo que nem eu sei. 

Fernando Pessoa

domingo, 2 de outubro de 2011



"Tenta te orientar pelo calendário das flores,
esquece, por um momento os números,
a semana, o dia do teu nascimento.
Se conseguires ser leve, aproveita,
enche tuas malas de sonho e toma carona no vento."

Fernando Campanella
 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011



Para se roubar um coração, é preciso
que seja com muita habilidade,
tem que ser vagarosamente,
disfarçadamente, não se chega com ímpeto,
não se alcança o coração de alguém com pressa.”

 Luís Fernando Veríssimo

domingo, 25 de setembro de 2011

domingo, 18 de setembro de 2011


A ESCOLHA

Tudo está em silêncio.
Ainda é muito cedo. Meu café está quente.
O céu está escuro. O mundo ainda dorme.
O dia está pra chegar.
Em alguns momentos, Ele sugirá.
Despontará com o nascer do sol.
A calma da alvorada será trocada pelo barulho do dia.
A tranquilidade do isolamento será substituída pelos passos pesados da raça humana.
O refúgio da madrugada será invadido pelas decisões a serem tomadas e prazos a serem cumpridos.
Durante as proximas 12 horas ficarei a mercê das demandas diárias.
Este é o momento em que preciso fazer escolhas.
Por causa do Calvário, estou livre para escolher.


Escolho o amor...


Nenhum fato justifica o ódio; não há injustiça que justifique amargura. Escolho o amor, hoje amarei a Deus e o que Ele ama.


Escolho a alegria...


Convidarei o meu Deus para que seja o Deus da circunstancia. Recusarei a tentação de ser cínico, a ferramenta do pensador preguiçoso. Recusar-me-ei a ver as pessoas como nada menos que seres humanos, criados por Deus. Recusar-me-ei a ver qualquer problema como nada menos que uma oportunidade de ver a Deus


Escolho a paz...


Viverei o perdão. Perdoarei para que possa viver.


Escolho a paciência...


Negligenciarei as inconvêniencias do mundo. Ao invés de amaldiçoar aquele que tenta tomar o meu lugar, convida-lo-ei a fazer isto. Não reclamarei a longa espera, mas agradecerei a Deus pelo momento de oração. Ao invés de cerrar meus punhos a novas designações, enfrenta-las-ei com alegria e coragem.


Escolho a generosidade...


Serei generoso para com os pobres, por estarem solitários. Generoso para com os ricos, por estarem temerosos. E generoso para com o mau, pois é assim que Deus tem tratado a mim.


Escolho a virtude...


Prefiro ficar sem um tostão a ganhar algum desonestamente. Serei negligenciado para não ser jactante. Confessarei antes que seja acusado. Prefiro a virtude.


Escolho a fidelidade...


Hoje cumprirei minhas promessas. Meus devedores não lastimarão sua confiança. Meus associados não questionarão minha palavra. Minha esposa não questionará meu amor. E meus filhos nunca temerão que seu pai possa não retornar ao lar.


Escolho a mansidão...


Nada pode ser vencido à força. Escolho a mansidão. Se levantar a minha voz, que ela possa ser apenas em louvor. Caso cerre meus punhos, que seja em oração. Caso dê uma ordem, que seja apenas pra mim mesmo.


Escolho o autocontrole...


Sou um ser espiritual. Após a morte deste corpo, meu espírito subirá. Recuso-me a permitir que a podridão domine o que é eterno. Escolho o autocontrole. Ficarei embriagado apenas pela alegria. Comovido apenas pela minha fé. Serei influenciado apenas por Deus. Serei ensinado apenas por Cristo. Escolho o autocontrole.


Amor, alegria, paz, paciência, generosidade, virtude, fidelidade, mansidão, autocontrole.
A estes submeto meu dia.
Caso seja bem-sucedido, louvarei a Deus.
Se falhar, buscarei Sua graça.
E então, ao anoitecer, colocarei minha cabeça sobre o travesseiro e descansarei.
 
Max Lucado